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Rede Esportiva, acervo

Acervo › 2021 › novembro

Coluna do Eduardo Torres: erros de avaliação e falta de planejamento foram cruciais para a queda do Brasil

Por Eduardo Torres · publicada em

Depois de 6 anos estando no convívio dos 40 melhores clubes do país, desde ontem o Brasil está rebaixado para a Série C do Campeonato Brasileiro. Após perder para o Avaí em casa, as vitórias de Londrina e Brusque rebaixaram o Xavante de maneira matemática.

Sempre falei e sigo falando: o rebaixamento é um fardo muito pesado para ser colocado nas costas de apenas uma pessoa. Porém, lembro que ninguém cai por acaso. O rebaixamento é o somatório de fatores mal conduzidos nos quais foram feitos por diversos fatores: omissão, falta de conhecimento, falta de planejamento, ataques desproporcionais à imprensa, escolhas erradas, prepotência, azar… essa lista pode ser ainda maior, e serve para qualquer clube rebaixado em qualquer circunstância.

Começo dizendo que nunca vi, e nem tive notícias, de dirigentes mal intencionados, que pudessem rebaixar o clube por querer ou por maldade. Sempre comento aqui que o dirigente sofre em dobro nos maus resultados: antes de tudo, por ser torcedor, e, claro, pela responsabilidade de dirigir a entidade. Porém, desde o começo nunca achei correto o discurso da gestão capitaneada por Nilton Pinheiro, quando falava que profissionalizaria todos os setores do clube, e, nas entrelinhas, dava a entender que as coisas estavam todas erradas na Baixada. Será mesmo que estavam? Sair da Segundona e ficar 6 anos na Série B em 9 anos foi um erro? Discorde-se de maneira de administrar, pois eu também não concordei com tudo, pois houveram erros, mas sim, a atividade-fim do clube, funcionou muito bem na última gestão. Entre erros e acertos, a distância pró-acertos foi muito grande. Quando se ouvia os argumentos do novo presidente, eu, pelo menos, pensava: ou está tudo errado e a sorte fez morada na Baixada, ou estamos próximos de ver uma nova potência surgindo.

O rebaixamento para a Série C estava encaminhado desde muito tempo antes de ser sacramentado. Mas falando de futebol, volto aos meus argumentos já ditos neste espaço, no Twitter.com/eduardootorres, e na Dez FM: faltou ao presidente Nilton – antes de renunciar – ouvir mais. Pedir ajuda aos experientes e entender que um clube como o Brasil tem uma estrutura complexa. Ele não podia ter deixado um profissional que nunca montou um plantel na vida, ter arroubos de autoritarismo dentro da Baixada, e fazer o que bem entendia. É inadmissível um profissional de trabalho tão ruim, ser tão idolatrado à ponto de detrimento de pessoas que entregaram tanto de sua vida ao clube, sem nem que uma conversa, de peito aberto, fosse feita. Pouca gente sabe, mas mesmo estando fora da reportagem, sigo com bons amigos dentro da Baixada, que garantem que muito boa parte do plantel dessa temporada foi contratada e avalizada por esse profissional. No qual vejo como erro grave que os integrantes do departamento de futebol e o presidente tenham se omitido e permitido que ele “pintasse e bordasse” na situação. Além disso, por melhor profissional que seja, em um determinado momento, Tencatti perdeu a mão, e, ao que parece, a demora na definição do futuro do profissional pode ter sido prejudicial, bem como na escolha de seu sucessor: o ídolo Cléber Gaúcho. Que, convenhamos, definitivamente não conseguiu fazer com que o Brasil esboçasse qualquer tipo de reação concreta.

Claro que os problema financeiros foram um grande problema. O Brasil talvez fosse o clube com menor poderio de investimento de toda a competição. Mas quando foi diferente? Como que nos últimos 5 anos não se errou tanto, quando também não se tinha dinheiro? Lembro que a folha de pagamento este ano gira em torno de 540 mil reais, mesmo que muitos clubes paguem o salário – ou parte deles – de atletas emprestados. O Brasil não caiu por acaso.

Por fim, a instabilidade política. Desde o começo o desconforto era visível na rua João Pessoa. O começo foi quando Nilton Pinheiro ficou do lado do gerente Fernando Leite, quando os integrantes do departamento de futebol claramente acabaram perdendo muito de sua alçada, pelo fato de Pinheiro, inexplicavelmente, ter transformado Leite em “super funcionário”. Depois vieram as fortes declarações de Denilson, passando pela renúncia de Cláudio Montanelli, o pedido de licença – que foi renovado – de Nilton Pinheiro, a renúncia do presidente, a carta do conselho “aconselhando” aos vices que renunciassem, a renúncia de Renato Moreira, e por último, a renúncia de Carlos Moncks. Teve muita coisa fora do campo.

De bom se viu alguns nomes interessantes, como a ascensão de Fabrício, que acabou indo jogar na Espanha, a “volta” de Bruno Matias que inexplicavelmente ficou arquivado em mais de meio campeonato, Marcelo e Rildo. E, claro, a dupla Jerson Testoni e Hélio Vieira. Com a saída de Cléber, Hélio apostou no jovem técnico, que já deu mostras que em 2022, com mais tempo e com a clima mais tranquilo, pode construir algo interessante no comendo do time rubro-negro. Até aqui, a escolha por Testoni se mostrou acertada.

OUTRA INTERINIDADE
Evanio Bandeira Tavares, presidente do Conselho Deliberativo do clube, é o presidente do Brasil pelos próximos 30 dias. Isso foi resolvido em reunião recente do conselho do clube. Após isso, uma comissão, de três conselheiros, será nomeada para tocar o clube até setembro de 2022. Será que essa regência trina já não poderia ter sido nomeada nessa reunião? O Brasil teria ganho tempo para fazer o que mais precisa: se organizar e pacificar o clube para a próxima temporada.


Os textos desta coluna são de responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, a opinião dos editores do site.

Publicidade da época retirada nesta versão do acervo.

Clubes citados

Publicada na segunda versão do site.

Para citar: Eduardo Torres. “Coluna do Eduardo Torres: erros de avaliação e falta de planejamento foram cruciais para a queda do Brasil”. Rede Esportiva, 3 de novembro de 2021. Disponível em https://redeesportiva.com.br/acervo/coluna-do-eduardo-torres-matematicamente-rebaixado/

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