Coluna do Eduardo Torres: Brasil sem comando
Por Eduardo Torres · publicada em

O futebol é engraçado. Em meio a um turbilhão de notícias ruins, tendo em vista o quadro de sucessivas derrotas e atuações abaixo da linha da pobreza, o Brasil venceu a boa equipe do Náutico, ontem, na Baixada. E mais! Venceu e convenceu! Ganhou o jogo por 3×2 jogando melhor que os pernambucanos no primeiro e segundo tempo. Prenúncio de “day after” tranquilo? Só na teoria.
Ainda na madrugada surgiu nas redes sociais uma possível demissão do coordenador técnico Hélio Vieira. O que, depois da coletiva de Jerson Testoni, que reclamou sobre questões referentes ao planejamento para 2022, ganhou ainda mais força pela manhã. Gostem ou não do Hélio, seria inadmissível cogitar a demissão dele neste momento. Tudo o que o Brasil menos precisaria seria uma nova mudança estrutural no futebol. A dupla Hélio/Testoni deu “liga”, e como a temporada próxima será de reconstrução, eles, “aproveitando” a atual situação, já fazem o planejamento para tal, com tempo e a calma que é necessária para o momento. Hélio foi um excepcional atleta, um grande técnico, e nessa função atual, está longe de ser comparado com o último funcionário que exerceu função semelhante, onde destruiu pontes solidificadas no departamento, quando vetou nomes inexplicáveis e contratou outros tantos, que até hoje ninguém sabe o que vieram fazer na rua João Pessoa. Hélio conhece a casa, conhece a área e merece permanecer. Ah! E o entorno no Bento Freitas amanheceu pichado.
Por fim, durante a tarde foi convocada uma entrevista coletiva do presidente Carlos Moncks e do presidente do Conselho Deliberativo, Evanio Bandeira. No ato, Moncks, entre tantas justificativas, acabou entregando a carta de renúncia ao cargo.
Falei na última semana, no Prorrogação, da Dez FM, que Moncks estava legitimamente ocupando o cargo. Ele não havia caído ali de pára-quedas, muito menos obrigado alguém a ter colocado no cargo. Ele assumiu por contingência da situação, e merecia ter toda a autonomia possível para, dentro do que acha correto, agir para tirar o clube dessa situação. Porém, notei que o quadro – dificílimo – fez com que ele não tivesse conseguido colocar o que era mais preciso nas entranhas da Baixada: paz. Diante de questionamentos da mídia, por mais de uma vez ele negou que existisse instabilidade administrativa – o que havia, afinal, ele assumira o cargo após renúncias do presidente e de vices à sua frente na hierarquia do clube – e que “se não fosse o Brasil, a imprensa não teria do que falar”. Oras, na cidade existe veículo de comunicação mais antigo que o Brasil, e os outros, mais novos, já contam a história do clube há muitos anos, da atual Série B, até momentos menos glamurosos, como a segundona e copinhas, ou até mesmo situações ainda mais difíceis. Ainda assim, entendi. Era um jeito de achar uma “casca” em um momento onde os dirigentes sofrem em dobro, afinal, são torcedores antes de ocupar qualquer cargo, porém, atacar a imprensa, inclusive em uma coletiva como essa, pouco ajudaria o clube em algo.
A partir de agora, o Brasil será tocado pelo Conselho Deliberativo, que deverá convocar eleições em breve. Que o Conselho consiga, mesmo que momentaneamente, unificar a pacificar o clube, já que ainda existem jogos a serem jogados pela Série B, e, o mais importante: seguir tocando o planejamento para 2022. E que as eleições sirvam para apenas uma coisa: que o debate de ideias seja salutar e que o clube não se divida ainda mais para o ano que vem.
QUE FASE!
Alertado pela Rafaela Tavares, da nossa equipe do Rede, vi foto dos amigos Henrique, Augusto, Natália e Camila, filhos do querido amigos, e de quem tenho muitas saudades, Sérgio Cabral. Eles estiveram na sede da FGF, onde junto com o presidente Luciano Hocsman, acertaram detalhes da entrega da taça de campeão da série A2, que levará o nome do Cabral. Merecidíssima homanagem a quem tanto fez pelo esporte, e que, de onde estiver, deve estar exultante pela homanagem.
Os textos desta coluna são de responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, a opinião dos editores do site.
Publicidade da época retirada nesta versão do acervo.
Clubes citados
Publicada na segunda versão do site.
Para citar: Eduardo Torres. “Coluna do Eduardo Torres: Brasil sem comando”. Rede Esportiva, 29 de outubro de 2021. Disponível em https://redeesportiva.com.br/acervo/coluna-do-eduardo-torres-brasil-sem-comando/