Coluna do Eduardo Torres: errado o Pelotas não começa
Por Eduardo Torres · publicada em

Por mais que tenhamos cerca de três meses para o começo da Segundona, acho importante escrever algumas linhas sobre o começo dos trabalhos do Lobo. Repetindo a fórmula que deu certo no acesso de 2018, o Lobo começou a se mexer logo cedo, e, mesmo eu sendo um “adepto de São Tomé”, que só acredito vendo, a primeira consideração que pode ser feita até aqui, é que errado o Pelotas não começou.
Vejamos: ao entregar o departamento de futebol ao conselheiro Gabriel Ribeiro, reconhecidamente áureo-cerúleo com serviços importantes em várias áreas do clube, porém, “cristão novo” no departamento de futebol, a escolha pelo dirigente remunerado foi certeira. Quando Ribeiro bateu o martelo em cima do nome de Ademir Bertoglio, o Pelotas ganhou um executivo com bons trabalhos no interior do estado, com amplo conhecimento de mercado e futebol – Bertoglio foi zagueiro nas décadas de 90 e 2000 – e, notadamente, um profissional diferenciado para a Divisão de Acesso. Sempre gostei dessa fórmula: um profissional da área – que conheça do riscado, e não as tantas invenções que vimos na aldeia – e um dirigente “político”, aquele abnegado que vive o clube, que sabe da importância das coisas acontecerem e que não deixa com que o profissional contratado ganhe ares de “super herói”. Aliás, eu tenho muita dificuldade de entender os motivos que fazem Brasil e Pelotas ficarem períodos tão significativos sem vice de futebol.
Passamos para o técnico: a pressão para subir é grande em boa parte dos dezesseis clubes que começam a competição, porém, no Pelotas, clube com mais torcida, tradição e poder de investimento no certame, essa pressão aumenta. E esse é um ponto que precisa ser analisado meticulosamente na hora de escolher o treinador: suportar esse clima e blindar o grupo de atletas. Na própria Boca do Lobo, alguns anos atrás, já vimos um treinador ter resultados favoráveis, mas não aguentar a pressão. Resultado? Pediu o boné e foi embora. E com Picolli, o Pelotas terá um técnico de forte, acostumado com esse tipo de situação. Além disso, ele conhece bem a casa. O comandante foi atleta do clube em 2006, e foi técnico em 2019/2020, onde foi campeão da Copa FGF e da Recopa Gaúcha. O Pelotas demorou a escolher, mas aparentemente acertou no nome.
Por último, os atletas: o Lobo começou a temporada com apenas dois atletas com contrato, o volante Itaqui e o atacante Gustavo Sapeka. Ambos voltando após lesões sérias. Sapeka ainda disputou o segundo semestre de 2021 pelo VEC, e agora vai para o Guarany disputar o Gauchão, já Itaqui não atuou por equipe alguma. Tenho minhas ressalvas com ambos, mas por questões diferentes. Sapeka nunca foi o jogador no qual eu considerasse dos mais importantes. Não creio que, pensando em subir, o Pelotas aposte todas as suas fichas nele. Já Itaqui é um grande jogador, não há nenhuma dúvida. Porém, contra ele pesam a idade avançada e o tempo parado. Para ajudar, ele deve estar minimamente preparado fisicamente, o que tenho algumas dúvidas que consiga. Passando para o pacotão de atletas que foram anunciados, confesso meu desconhecimento por boa parte deles, a exceção de Léo Kanu, Luis Cetin e Eliomar, nos quais considero jogadores interessantes. Os outros conheço pouco ou não me recordo de seus trabalhos. Considero, até agora, Jardel como principal reforço. Diferente do que pensam outros colegas, e inclusive já falei aqui, Jardel não é aposta. Ele é de um nível muito acima em relação ao que o Pelotas terá, e creio que não haja maiores dificuldades dele alinhar-se fisicamente com o resto do grupo. Não lembro de alguma lesão grave que ele tenha tido na carreira e tem biotipo que facilita essa retomada de patamar. Com raízes na cidade, o volante deve começar os trabalhos físicos ainda em fevereiro.
Isso tudo é garantia que as coisas darão certo? Evidentemente que não. O futebol não é, nunca foi e não será uma ciência exata, porém, diante de tantos erros cometidos em outras temporadas(alguns, em um passado bastante recente), chego à conclusão que, em 18/01, errado o Pelotas não começa. Pelo menos até agora.
Os textos desta coluna são de responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, a opinião dos editores do site.
Publicidade da época retirada nesta versão do acervo.
Clubes citados
Publicada na segunda versão do site, no endereço www.redeesportiva.com.br/coluna-do-eduardo-torres/coluna-do-eduardo-torres-errado-o-pelotas-nao-comeca/
Para citar: Eduardo Torres. “Coluna do Eduardo Torres: errado o Pelotas não começa”. Rede Esportiva, 18 de janeiro de 2022. Disponível em https://redeesportiva.com.br/acervo/coluna-do-eduardo-torres-errado-o-pelotas-nao-comeca/