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Rede Esportiva, acervo

Acervo › 2011 › março

OPINIÃO: A saída dos que não acreditaram em um projeto

Por Mateus Kerr · publicada em

O título por si só é esclarecedor e retrata com fidelidade a triste sina do Pelotas no ano de 2011: infelizmente, a maioria dos atletas não acreditou no ambicioso projeto proposto pelo clube antes do início do Gauchão, que tinha o áureo-cerúleo como um dos postulantes ao titulo do interior e, quem sabe, até mesmo do campeonato. Seja por vaidade, problemas pessoais ou pela convidativa noite pelotense, o grupo que tinha tudo para fazer história na cidade efetivamente o fez, mas da maneira errada, pintando o nome na lista de fracassos históricos do clube em competições estaduais. Fracasso esse que pode ter proporções gigantescas caso o rebaixamento aconteça o que – esperamos – não irá se concretizar, embora alguns digam que muito esforço tem sido feito neste sentido.

Léo Dias, na apresentação: ninguém imaginava que não daria certo... (Foto: Gabriel Ribeiro)

Jorge Bopp, o principal e mais qualificado dirigente do Pelotas nos últimos 5 anos, pelo menos, está coberto de razão quando diz que o grupo montado para este ano tinha qualidade. Tinha MUITA qualidade, pelo menos sob o aspecto teórico. Léo Dias era o camisa 10 mais cobiçado do futebol gaúcho. Johnathan havia sido eleito o melhor lateral-direito do interior nas últimas duas temporadas. Oliveira era chamado de “mãos de superbounder” em Ijuí, graças as suas seguras defesas. Miro Bahia era conhecido pelo seu talento magistral com a bola nos pés. Nenhum deles deu certo na cidade, e todos foram embora.

Em entrevista, Bopp falou que se sabia do problema da noite de Miro Bahia no momento da contratação do jogador, e que alguns jogadores tiveram problemas pessoais, mas o Pelotas poderia ter tido mais cuidado para cuidar destas questões. Até concordo, mas acredito que o ponto destoante entre o sonho da diretoria e o elenco de jogadores tenha sido um só: o fato dos jogadores não terem acreditado no projeto proposto pelo clube.

Que Léo Dias era desejado por muita gente, todos sabiam. Que Makelele, um volante de Libertadores, tinha mercado, isto era óbvio. Mas se esperava que estes jogadores utilizassem o Gauchão como trampolim para voltar a vestir a camisa de grandes clubes brasileiros, e não que eles simplesmente abandonassem o barco azul e amarelo quando a primeira proposta de um mercado paralelo chegasse. Infelizmente, foi o que aconteceu. Aconteceu porque os citados e os outros atletas que saíram não acreditaram que o Pelotas pudesse chegar longe. Faltou gana, faltou vontade e faltou fé para os que deixaram o clube acreditando que estavam partindo para uma escolha de vida melhor.

Léo, do Cruzeiro, não é tão melhor que Jonas, zagueiro de grande destaque do Pelotas neste ano. Entretanto, ele tem sido pretendido por grandes clubes em função da grande campanha do Cruzeirinho no Gauchão. Será que se a campanha do Lobo não fosse melhor, Léo Dias, Tiago Prado, Nunes e cia não poderiam estar partindo para clubes maiores ?

 Agora, Makelele tem a possibilidade de retornar para a cidade. Tecnicamente, acrescentará muito ao Pelotas, tenho certeza. Mas como ficará o ambiente no vestiário, com os companheiros vendo o retorno daquele que havia “abandonado” o clube ? Espero que a situação seja contornada da melhor forma possível.

No fim das contas, os nomes que se salvam são sempre os mesmos. Jogadores como Tiago Duarte, Sandro Sotilli, Clodoaldo, Gavião e Maicom Sapucaia, que recusam até ofertas mais vantajosas para ficar no Pelotas, que acreditam no projeto, que vestem a camisa azul e amarela com paixão, garra e confiança todos os anos. É por causa deles, mais uma vez, que o Pelotas não vai cair. É por causa deles que o torcedor vai ao estádio, grita e comemora. É por causa de atletas como eles que os nossos clubes do interior ainda existem, por causa de atletas que acreditam nos sonhos, nos projetos. Será que é tão difícil assim ser mais um deles ??

Clubes citados

Publicada na primeira versão do site, no endereço redeesportiva.com.br/content/opiniao-a-saida-dos-que-nao-acreditaram-em-um-projeto/

Para citar: Mateus Kerr. “OPINIÃO: A saída dos que não acreditaram em um projeto”. Rede Esportiva, 18 de março de 2011. Disponível em https://redeesportiva.com.br/acervo/opiniao-a-saida-dos-que-nao-acreditaram-em-um-projeto/

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