Com a saída de Marcinho, como fica o Brasil?
Por Rafaela Tavares · publicada em

A notícia da saída do atacante Marcinho do Brasil pegou muitos de surpresa. O jogador recebeu uma proposta e irá defender o Aves, da primeira divisão de Portugal. Mas, e o Xavante? Como fica sem a presença do atleta, que vinha sendo titular na equipe de Zimmermann?
O treinador Rogério Zimmermann falou sobre a saída do jogador na entrevista coletiva concedida na tarde desta sexta (5): “Saída nunca é bom. Foi um jogador indicado por nós, que acompanhamos no Londrina, no Oeste. É um jogador de Série B, está acostumado a jogar a Série B com qualidade. Então nós indicamos, ele veio, tava bem. Para o treinador nunca é bom, mas enfim, temos que entender a situação do clube, essa situação financeira, e há um prejuízo, evidentemente, técnico, mas todos os clubes passam por isso. É uma coisa que dificilmente não acontece. É uma pena porque ele estava dando uma contribuição legal e vamos ter dificuldade em suprir essa carência. Mas não deixa de ser uma situação rotineira no futebol brasileiro”, comentou.
Zimmermann falou ainda sobre as possibilidades para suprir a ausência do jogador: “O Marcinho é um terceiro homem de meio-campo, assim como é o Juba. O Elias tem uma função mais parecida com Branquinho, não com as mesmas características, mas a mesma função. É tático, não é um velocista, mas tem velocidade”, analisou.
O Rede Esportiva questionou os profissionais da imprensa de Pelotas em quais aspectos o Brasil perde com a saída de Marcinho. Confira.

“O Brasil perde muito com a saída de Marcinho. Foi através da sua entrada na equipe que o Xavante abriu o lado direito do campo e conseguiu ser mais eficaz no ataque. Antes, o time não tinha força ofensiva no setor. A mecânica na hora de construir o ataque melhorou porque Marcinho era opção de passe sempre em uma linha mais avançada. Perda considerável.
A chegada de Elias é um atalho usado por Rogério Zimmermann. Ele conhece o jogador e vice-versa. Ele atuava mais pela esquerda, mas pode ser deslocado para herdar a função de Marcinho. Douglas Baggio também é opção para manter os avanços na construção das jogadas ofensivas. Assim, o Xavante manteria o equilíbrio, alternando os lados na hora de atacar como fez nos últimos jogos.”

“O Brasil perde muito com a saída do Marcinho. Ele foi o principal pilar técnico do Xavante nos nove pontos conquistados. Com ele o Brasil ganhava uma nova dinâmica no meio-campo. Mesmo não sendo um meia armador, centralizado, pelo lado ele conseguia construir jogadas que contribuíam para o crescimento de jogadores como Murilo Rangel e até mesmo o Branquinho. Ele e o Murilo Rangel se deram muito bem, trocavam muitas vezes de lado. Isso acabou contribuindo para que o Brasil fosse uma equipe mais agressiva, uma equipe que construía mais jogadas.
No atual elenco do Brasil, hoje, com os jogadores que ele (Zimmermann) gosta de jogar – embora possa colocar o Diogo Oliveira centralizado e deslocar o Murilo Rangel ou até mesmo outro jogador para o lado do campo -, o Brasil não tem um jogador como o Marcinho. Um meia rápido, de velocidade, que conseguiu agregar qualidade ao lado direito, principalmente na parte ofensiva. Marcinho teve qualidade enquanto esteve no Brasil no setor de criação de jogadas.”

“Marcinho era sem dúvidas o principal destaque do Brasil nessa primeira parte de Série B. Talvez não o melhor tecnicamente, mas o mais importante do time.
A sua entrada no time na vitória contra o Guarani permitiu ao Brasil ter mais posse de bola no campo de ataque e uma melhor movimentação entre os jogadores de meio-campo. No elenco xavante, não vejo nenhum jogador com as mesmas características. Em Porto Alegre, no amistoso contra o São José, o seu reserva imediato foi Juba, que tem outra característica e que era o titular nas quatro primeiras rodadas.”
Clubes citados
Publicada na segunda versão do site, no endereço www.redeesportiva.com.br/gremio-esportivo-brasil/com-a-saida-de-marcinho-como-fica-o-brasil/
Para citar: Rafaela Tavares. “Com a saída de Marcinho, como fica o Brasil?”. Rede Esportiva, 5 de julho de 2019. Disponível em https://redeesportiva.com.br/acervo/com-a-saida-de-marcinho-como-fica-o-brasil/