Coluna do André Müller: a difícil arte de fazer gestão no futebol
Por André Müller · publicada em


A difícil arte de fazer gestão no futebol
Quando assumiu a presidência do Pelotas, Gilmar Schneider chegou com um discurso diferente. Prometendo uma gestão profissional, utilizando a referência de sucesso nas suas empresas.
Realmente nos primeiros anos sob o seu comando o clube solucionou uma série de problemas decorrentes de ações trabalhistas, equilibrou as contas e alinhou uma negociação que, de acordo com o anunciado, poderá mudar o patamar de arrecadação do clube.
Mas, mesmo que os resultados de campo sejam razoáveis, com o retorno à primeira divisão gaúcha e a conquista a Copinha do ano passado que garantiu a vaga na Série D nacional, a campanha de sócios não decolou e a arrecadação ainda está bem abaixo da expectativa.
Para piorar, o fraco desempenho da equipe no Gauchão diminuiu o interesse da torcida e o público nos jogos tem sido muito reduzido.
Números que trazem preocupação
Além da folha salarial de jogadores e comissão técnica, que segundo o presidente gira em torno de R$ 300 mil, o clube tem um compromisso mensal de R$ 50 mil em acordos trabalhistas e terá que pagar R$ 75 mil em função de uma ação judicial movida por um antigo locatário de um dos espaços no entorno do estádio.
Existem ainda as despesas com os demais funcionários do clube e outros custos fixos como água e luz que não foram divulgados.
De acordo com Schneider, em entrevista à rádio Pelotense, a arrecadação não é compatível com as despensas e, para disputar a Série D a tendência é piorar porque, diferente do Gauchão, no nacional não há receita de televisão.
Para que tenha as negativas liberadas junto à receita federal, o Pelotas precisa negociar dívidas junto ao órgão e comprometer em torno de R$ 70 mil/mês.
A evolução é condicionada ao resultado
A reestruturação do clube deveria ser causa e não consequência dos resultados de campo. No entanto, em clubes do interior, é praticamente impossível evoluir sem o respaldo de boas campanhas.
No caso de Pelotas, ser rebaixado no Gauchão pode representar um retrocesso também na gestão.
O jogo diante do Esportivo será mais uma oportunidade para amenizar a pressão. Será o primeiro dos quatro últimos jogos derradeiros no segundo turno e, se não vencer, o áureo-cerúleo precisa de duas vitórias nos três últimos jogos, o que não conseguiu fazer até agora nos sete confrontos que teve na competição.
Publicidade da época retirada nesta versão do acervo.
Clubes citados
Publicada na segunda versão do site, no endereço www.redeesportiva.com.br/esporte-clube-pelotas/coluna-do-andre-muller-a-dificil-arte-de-fazer-gestao-no-futebol/
Para citar: André Müller. “Coluna do André Müller: a difícil arte de fazer gestão no futebol”. Rede Esportiva, 11 de março de 2020. Disponível em https://redeesportiva.com.br/acervo/coluna-do-andre-muller-a-dificil-arte-de-fazer-gestao-no-futebol/